Exercendo a não-opinião como exercício de empatia

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Alex Castro:

Quando perguntamos a nossa amiga casada quando ela vai finalmente ter filhos ou filhas, a pergunta nos parece inócua e amigável. Afinal, só estamos perguntando porque temos intimidade, certo?

Entretanto, para a pessoa que está do outro lado, o comentário é opressivo. Porque não é a primeira, nem a vigésima, nem a centésima vez que é feito.

Como essa pessoa pode se sentir acolhida, feliz, aceita entre suas amigas e familiares se praticamente todo dia alguma delas a interpela sobre uma das escolhas mais importantes de sua vida?

A mensagem passada por essa constante enxurrada de comentários, uma mensagem ao mesmo tempo violenta e invasiva, é que a sua escolha de vida, que deveria ser íntima e indevassável, causa enorme desconforto às suas pessoas mais próximas. Se não, por que tanta insistência? Se não, por que tanta intrusão?

Em situações como essa, é ainda mais apropriado seguir o conselho supostamente dado pelo guru indiano Sathya Sai Baba (tradução minha):

Antes de falar, pense: É necessário? É verdadeiro? É gentil? Machucará alguém? Acrescentará algo ao silêncio?

Pense, sempre.